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Equidade, sustentabilidade, gestão aliada: veja destaques dos webinars de 2025

Equidade, sustentabilidade, gestão aliada: veja destaques dos webinars de 2025

Flávia Siqueira
14/08/2025
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Palestrantes compartilharam experiências e dicas sobre STEM, trabalho por projetos na escola, educação climática e justiça social no processo de ensino-aprendizagem

Ao longo do período de inscrições para sua 12ª edição (2025), o programa Solve for Tomorrow Brasil – iniciativa da Samsung, com coordenação geral do Cenpec – realizou três webinars voltados a educadores(as) da rede pública de todo o país.

Foram momentos de reflexão e troca de experiências que mostram como o trabalho por projetos e a abordagem STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) podem fomentar uma educação pautada em equidade, colaboração, sustentabilidade e conexão com o território.

Confira alguns destaques de cada webinar:

 

Desenvolvimento sustentável

Como sensibilizar jovens estudantes para a necessidade e a urgência do desenvolvimento sustentável? A resposta passa pelas necessidades e pela realidade de cada território. As mudanças climáticas são um desafio global, mas com consequências tangíveis e diversas em âmbito local.

No webinar Educação e desenvolvimento sustentável: da escola à COP 30, realizado pelo Solve for Tomorrow Brasil em 26 de junho, especialistas debateram a importância de conectar agendas globais, como a COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, que será realizada em novembro na cidade de Belém (PA) –, com ações locais protagonizadas por escolas e comunidades.

Com participações de Helvio Kanamaru, Diretor de Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, Paulo Galvão, jovem ativista indígena e estudioso do desenvolvimento sustentável, e Mauro Tavares, coordenador de educação ambiental na Secretaria de Educação do Pará, o evento destacou a urgência de uma educação climática crítica e contextualizada.

 

Helvio Kanamaru abriu o evento reforçando o compromisso da Samsung com iniciativas que unam tecnologia e impacto social. Ele citou o exemplo do projeto vencedor de 2024, Filtropinha: dos Resíduos aos Recursos, desenvolvido por estudantes da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, em Carnaíba (PE), que criaram um filtro de baixo custo à base de cascas da fruta-pinha com o objetivo de reduzir a poluição da manipueira e desenvolver um biofertilizante, minimizando danos ambientais.

Paulo Galvão, participante de três edições da COP, trouxe dados alarmantes: quase 70% dos(as) jovens entrevistados em uma pesquisa nacional sentem medo ou ansiedade por causa das mudanças climáticas, mas 36% não sabem em qual bioma vivem. “Como vamos proteger o que não conhecemos?”, questionou.

Mauro Tavares apresentou a Lei Estadual de Educação Ambiental do Pará (2023), que tornou o tema disciplina obrigatória na rede pública. "Um terço dos nossos alunos não se reconhece como parte da Amazônia. Precisamos mudar isso com currículos que valorizem saberes tradicionais e soluções locais", ressaltou.

Em resposta a perguntas dos participantes, os palestrantes deram dicas práticas:

Como envolver alunos em atividades externas com poucos recursos?
Mauro sugeriu parcerias com universidades e outras organizações. "No Marajó, conseguimos apoio da Câmara Municipal para visitas a reservas ambientais. Recursos existem, mas precisamos articular redes.”

Como incluir saberes tradicionais no currículo?
Paulo citou o exemplo das escolas indígenas que têm a disciplina Notório Saber, focada em cultura e línguas originárias. Em outros contextos, é possível começar com algo simples, como discutir a origem indígena dos nomes de ruas ou brincadeiras e jogos tradicionais.

Metodologias ativas para educação ambiental
Os palestrantes recomendaram gamificação, projetos mão na massa (como hortas escolares) e uso de recursos educacionais abertos, como o jogo Na Trilha do Risco, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).

Com a COP30 ocorrendo na cidade de Belém em novembro, Paulo reforçou que as escolas não precisam estar fisicamente no evento para participar dos debates: é possível discutir temas da conferência, pressionar por políticas públicas e buscar soluções locais.

Assista ao webinar completo:

 

Inovar com propósito social

O webinar Ideias que transformam com equidade: inovação para todos e todas, realizado em 10 de junho, apresentou estratégias e experiências que mostram como a investigação científica e a criatividade podem ser aliadas na construção de soluções para desafios reais, valorizando a diversidade, o protagonismo estudantil e a transformação da escola em um espaço mais justo, colaborativo e conectado com a sociedade.

O palestrante Jefferson Meneses – pesquisador e educador na área de STEM com mais de uma década de experiência – iniciou sua fala reforçando a necessidade de uma educação que dialogue com os desafios contemporâneos. "Vivemos um momento em que a educação exige transformações profundas e urgentes, sobretudo no contexto pós-pandêmico. A resposta mais potente que temos hoje é a adoção de abordagens problematizadoras, capazes de criar pontes entre teoria e prática, currículo e realidade, escola e território".

Ele destacou a importância de articular projetos STEM e compromisso social. Além de integrar áreas do conhecimento na escola, projetos que buscam a inovação podem ser inclusivos e olhar para problemas concretos da comunidade – tornando-se, assim, ainda mais significativos para os(as) estudantes. “A resolução de problemas, o trabalho colaborativo e o pensamento crítico são formas poderosas de estabelecer diálogos e de engajar os jovens em desafios práticos e contextualizados, conectando o aprendizado com o que eles vivem de fato”, afirmou Jefferson.

O especialista também enfatizou a importância de valorizar saberes tradicionais e combater estereótipos na ciência. "Mostrar cientistas de diferentes gêneros, raças e regiões é essencial para romper com a visão eurocêntrica do conhecimento.”

Como identificar um "bom problema" para projetos STEM?
Para Jefferson, a chave está na escuta ativa dos(as) estudantes e no olhar atento para o território. "Um bom problema tem conexão com a vida real, desperta interesse, promove autonomia, estimula o trabalho em equipe e permite integrar diferentes áreas do saber.”

Como engajar os estudantes?
"Crie espaços de escuta e valide suas vivências”, recomendou o palestrante. É importante, também, ser flexível e ter abertura para a interdisciplinaridade: às vezes, a dúvida que motiva um projeto vem de outras áreas do conhecimento, como Linguagens ou Humanas, ou do cotidiano.

Jefferson encerrou sua fala com um chamado à ação: "inovação não é sobre criar uma tecnologia mirabolante, mas sobre responder com intencionalidade aos desafios reais. Basta uma ideia para começar".

Assista ao webinar completo:

 

O papel da gestão

No Encontro de Alianças 2025 do Solve for Tomorrow Brasil, realizado em 15 de maio com o título Gestão como Aliada: Impulsionando Projetos no Ensino Médio, gestores(as) escolares e técnicos(as) de secretarias da educação se reuniram para conversar sobre a importância de incentivar e oferecer condições para o trabalho por projetos na escola a partir de uma dinâmica que promova colaboração, interdisciplinaridade e inovação.

Sildiana Cerqueira, supervisora de cursos técnicos do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), explicou como a rede incentiva o trabalho por projetos e a investigação científica. Entre as estratégias adotadas, estão a inclusão de metodologia científica no currículo do ensino médio, a implantação de laboratórios de ciências das unidades escolares e o incentivo a projetos que aliam empreendedorismo e corresponsabilidade social.

 

Outra preocupação tem sido o letramento científico de estudantes e professores(as). “Alguns docentes não tinham experiência em pesquisa. Por isso, implementamos formações específicas.”

As ações de incentivo vêm se traduzindo em números. De 2022 a 2024, a participação de escolas maranhenses no Solve for Tomorrow Brasil mais que dobrou.

Ana Carla Alves, diretora do Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 441 Mané Garrincha, em Magé (RJ) – escola responsável pelo projeto Plane M's 441: Monitoramento e Mapeamento Inteligente de Riscos Urbanos, finalista do Solve for Tomorrow Brasil em 2024 –, compartilhou dicas para gestores(as) incentivarem o trabalho por projetos na escola:

▶ Portas abertas e escuta ativa - "Eu deixo minha porta sempre aberta. Paro o que estou fazendo para ouvir. Quando o professor se sente acolhido, ele se engaja."

▶ Dar autonomia e confiança - "Se o professor chega com uma ideia, eu digo: 'Me explica, como posso te ajudar?' Se precisar de espaço ou recurso, vemos juntos como viabilizar."

▶ Celebrar as vitórias - "Fazemos um café bacana quando um professor é premiado ou quando alunos se destacam. Isso motiva toda a equipe."

▶ Integrar projetos ao currículo - "Criamos o programa 'Sapiencia', que transforma projetos em desafios entre 'casas' de alunos. Eles ganham pontos e no fim do ano há premiação."

Finalizando sua fala, Ana Carla fez um convite aos(às) gestores(as) que acompanharam o webinar: “vamos construir juntos uma rede de escolas criativas, sustentáveis e inovadoras”.

Assista ao webinar completo:

 

Para saber mais:

Entenda o papel da gestão escolar em projetos STEM
Conheça o espaço virtual Ciência e diversidade do Solve for Tomorrow Brasil
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