Palestrantes compartilharam experiências e dicas sobre STEM, trabalho por projetos na escola, educação climática e justiça social no processo de ensino-aprendizagem
Ao longo do período de inscrições para sua 12ª edição (2025), o programa Solve for Tomorrow Brasil – iniciativa da Samsung, com coordenação geral do Cenpec – realizou três webinars voltados a educadores(as) da rede pública de todo o país.
Foram momentos de reflexão e troca de experiências que mostram como o trabalho por projetos e a abordagem STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) podem fomentar uma educação pautada em equidade, colaboração, sustentabilidade e conexão com o território.
Confira alguns destaques de cada webinar:
Como sensibilizar jovens estudantes para a necessidade e a urgência do desenvolvimento sustentável? A resposta passa pelas necessidades e pela realidade de cada território. As mudanças climáticas são um desafio global, mas com consequências tangíveis e diversas em âmbito local.
No webinar Educação e desenvolvimento sustentável: da escola à COP 30, realizado pelo Solve for Tomorrow Brasil em 26 de junho, especialistas debateram a importância de conectar agendas globais, como a COP30 – Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, que será realizada em novembro na cidade de Belém (PA) –, com ações locais protagonizadas por escolas e comunidades.
Com participações de Helvio Kanamaru, Diretor de Cidadania Corporativa da Samsung para a América Latina, Paulo Galvão, jovem ativista indígena e estudioso do desenvolvimento sustentável, e Mauro Tavares, coordenador de educação ambiental na Secretaria de Educação do Pará, o evento destacou a urgência de uma educação climática crítica e contextualizada.

Helvio Kanamaru abriu o evento reforçando o compromisso da Samsung com iniciativas que unam tecnologia e impacto social. Ele citou o exemplo do projeto vencedor de 2024, Filtropinha: dos Resíduos aos Recursos, desenvolvido por estudantes da Escola Técnica Estadual Professor Paulo Freire, em Carnaíba (PE), que criaram um filtro de baixo custo à base de cascas da fruta-pinha com o objetivo de reduzir a poluição da manipueira e desenvolver um biofertilizante, minimizando danos ambientais.
Paulo Galvão, participante de três edições da COP, trouxe dados alarmantes: quase 70% dos(as) jovens entrevistados em uma pesquisa nacional sentem medo ou ansiedade por causa das mudanças climáticas, mas 36% não sabem em qual bioma vivem. “Como vamos proteger o que não conhecemos?”, questionou.
Mauro Tavares apresentou a Lei Estadual de Educação Ambiental do Pará (2023), que tornou o tema disciplina obrigatória na rede pública. "Um terço dos nossos alunos não se reconhece como parte da Amazônia. Precisamos mudar isso com currículos que valorizem saberes tradicionais e soluções locais", ressaltou.
Em resposta a perguntas dos participantes, os palestrantes deram dicas práticas:
Como envolver alunos em atividades externas com poucos recursos?
Mauro sugeriu parcerias com universidades e outras organizações. "No Marajó, conseguimos apoio da Câmara Municipal para visitas a reservas ambientais. Recursos existem, mas precisamos articular redes.”
Como incluir saberes tradicionais no currículo?
Paulo citou o exemplo das escolas indígenas que têm a disciplina Notório Saber, focada em cultura e línguas originárias. Em outros contextos, é possível começar com algo simples, como discutir a origem indígena dos nomes de ruas ou brincadeiras e jogos tradicionais.
Metodologias ativas para educação ambiental
Os palestrantes recomendaram gamificação, projetos mão na massa (como hortas escolares) e uso de recursos educacionais abertos, como o jogo Na Trilha do Risco, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEN).
Com a COP30 ocorrendo na cidade de Belém em novembro, Paulo reforçou que as escolas não precisam estar fisicamente no evento para participar dos debates: é possível discutir temas da conferência, pressionar por políticas públicas e buscar soluções locais.
O webinar Ideias que transformam com equidade: inovação para todos e todas, realizado em 10 de junho, apresentou estratégias e experiências que mostram como a investigação científica e a criatividade podem ser aliadas na construção de soluções para desafios reais, valorizando a diversidade, o protagonismo estudantil e a transformação da escola em um espaço mais justo, colaborativo e conectado com a sociedade.
O palestrante Jefferson Meneses – pesquisador e educador na área de STEM com mais de uma década de experiência – iniciou sua fala reforçando a necessidade de uma educação que dialogue com os desafios contemporâneos. "Vivemos um momento em que a educação exige transformações profundas e urgentes, sobretudo no contexto pós-pandêmico. A resposta mais potente que temos hoje é a adoção de abordagens problematizadoras, capazes de criar pontes entre teoria e prática, currículo e realidade, escola e território".

Ele destacou a importância de articular projetos STEM e compromisso social. Além de integrar áreas do conhecimento na escola, projetos que buscam a inovação podem ser inclusivos e olhar para problemas concretos da comunidade – tornando-se, assim, ainda mais significativos para os(as) estudantes. “A resolução de problemas, o trabalho colaborativo e o pensamento crítico são formas poderosas de estabelecer diálogos e de engajar os jovens em desafios práticos e contextualizados, conectando o aprendizado com o que eles vivem de fato”, afirmou Jefferson.
O especialista também enfatizou a importância de valorizar saberes tradicionais e combater estereótipos na ciência. "Mostrar cientistas de diferentes gêneros, raças e regiões é essencial para romper com a visão eurocêntrica do conhecimento.”
Como identificar um "bom problema" para projetos STEM?
Para Jefferson, a chave está na escuta ativa dos(as) estudantes e no olhar atento para o território. "Um bom problema tem conexão com a vida real, desperta interesse, promove autonomia, estimula o trabalho em equipe e permite integrar diferentes áreas do saber.”
Como engajar os estudantes?
"Crie espaços de escuta e valide suas vivências”, recomendou o palestrante. É importante, também, ser flexível e ter abertura para a interdisciplinaridade: às vezes, a dúvida que motiva um projeto vem de outras áreas do conhecimento, como Linguagens ou Humanas, ou do cotidiano.
Jefferson encerrou sua fala com um chamado à ação: "inovação não é sobre criar uma tecnologia mirabolante, mas sobre responder com intencionalidade aos desafios reais. Basta uma ideia para começar".
No Encontro de Alianças 2025 do Solve for Tomorrow Brasil, realizado em 15 de maio com o título Gestão como Aliada: Impulsionando Projetos no Ensino Médio, gestores(as) escolares e técnicos(as) de secretarias da educação se reuniram para conversar sobre a importância de incentivar e oferecer condições para o trabalho por projetos na escola a partir de uma dinâmica que promova colaboração, interdisciplinaridade e inovação.
Sildiana Cerqueira, supervisora de cursos técnicos do Instituto Estadual de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), explicou como a rede incentiva o trabalho por projetos e a investigação científica. Entre as estratégias adotadas, estão a inclusão de metodologia científica no currículo do ensino médio, a implantação de laboratórios de ciências das unidades escolares e o incentivo a projetos que aliam empreendedorismo e corresponsabilidade social.

Outra preocupação tem sido o letramento científico de estudantes e professores(as). “Alguns docentes não tinham experiência em pesquisa. Por isso, implementamos formações específicas.”
As ações de incentivo vêm se traduzindo em números. De 2022 a 2024, a participação de escolas maranhenses no Solve for Tomorrow Brasil mais que dobrou.
Ana Carla Alves, diretora do Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 441 Mané Garrincha, em Magé (RJ) – escola responsável pelo projeto Plane M's 441: Monitoramento e Mapeamento Inteligente de Riscos Urbanos, finalista do Solve for Tomorrow Brasil em 2024 –, compartilhou dicas para gestores(as) incentivarem o trabalho por projetos na escola:
▶ Portas abertas e escuta ativa - "Eu deixo minha porta sempre aberta. Paro o que estou fazendo para ouvir. Quando o professor se sente acolhido, ele se engaja."
▶ Dar autonomia e confiança - "Se o professor chega com uma ideia, eu digo: 'Me explica, como posso te ajudar?' Se precisar de espaço ou recurso, vemos juntos como viabilizar."
▶ Celebrar as vitórias - "Fazemos um café bacana quando um professor é premiado ou quando alunos se destacam. Isso motiva toda a equipe."
▶ Integrar projetos ao currículo - "Criamos o programa 'Sapiencia', que transforma projetos em desafios entre 'casas' de alunos. Eles ganham pontos e no fim do ano há premiação."
Finalizando sua fala, Ana Carla fez um convite aos(às) gestores(as) que acompanharam o webinar: “vamos construir juntos uma rede de escolas criativas, sustentáveis e inovadoras”.
Entenda o papel da gestão escolar em projetos STEM
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